sábado, 7 de julho de 2012

TRISTEZA



Porque a tristeza, segundo Deus, opera arrependimento para a salvação, o qual não traz pesar; mas a tristeza do mundo gera a morte.” — Paulo. (2ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, capítulo 7, versículo 10.)


Conforme observamos na advertência de Paulo, há “uma tristeza segundo Deus” e outra “segundo a Terra”. A primeira soluciona problemas atinentes àvida verdadeira, a segunda é caminho para a morte, como símbolo de estagnação, no desvio dos senti­mentos.
Muita gente considera virtudes a lamentação in­cessante e o tédio continuado. Encontramos os tristes pela ausência de dinheiro adequado aos excessos; vemos os torturados que se lastimam pela impossibi­lidade de praticar o mal; ouvimos os viciados na queixa doentia, incapazes do prazer de servir sem aguilhões. Essa é a tristeza do mundo que prende o Espírito à teia de reencarnações corretivas e peri­gosas.
Raros homens se tocam da “tristeza segundo Deus”. Muito poucos contemplam a si próprios, con­siderando a extensão das falhas que lhes dizem respeito, em marcha para a restauração da vida, no presente e no porvir. Quem avança por esse caminho redentor, se chora jamais atinge o plano do soluço enfermiço e da inutilidade, porque sabe reajustar-se, valendo-se do tempo, a golpes benditos de esforço para as novas edificações do destino.

(Caminho, Verdade, e Vida; cap. 130)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

NO CONVÍVIO DO CRISTO


“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é:
as coisas velhas já Passaram; eis que tudo se fez novo”
Paulo (II Coríntios, 5:17.)
É comum ouvirmos a cada passo observações de companheiros desarvorados e
abatidos, a fixarem emoções e pensamentos em pessimismo e azedume, qual se
acalentassem espinheiros e charcos submersos neles mesmos.
Respiram e caminham, transportando consigo enorme submundo de mágoas e
desilusões, deixando, onde pisem, escuro rastro de fel.
Falam de experiências dolorosas da própria vida íntima, empregando mil frases tortuosas
e contundentes no apontamento que poderiam encaixar em algumas poucas palavras
claras e simples.
Dramatizam desencantos.
Reconstituem doenças passadas, com a volúpia de que lhes procura o indesejável
convívio.
Queixam-se de ingratidões.
Apontam preterições e prejuízos que sofreram em épocas precedentes.
Historiam episódios tristes que a vida já relegou aos arquivos do tempo.
E, com isso, envenenam a vida e enceguecem a própria alma, incapazes de perceber que
o evangelho é luz e renovação nos campos do espírito.
Se antigas dores e problemas superados te voltam à imaginação,esquece-os e segue
adiante...
Pensa no melhor que te espera e busca voluntariamente o trabalho a fazer.
Consoante a assertiva do Apóstolo, se alguém permanece em Cristo, nova criatura é,
porque, efetivamente, quando a nossa vida está em Jesus, tudo em nós e diante de nós
se faz novo.

(Palavras de Vida Eterna; cap. 125)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

ANTE A PALAVRA DO CRISTO

"...As palavras que eu vos disse, são espírito e vida."
Jesus (João, 6:63).
Em todos os tempos surgem no mundo grandes Espíritos que manejam a palavra,
impressionando multidões; entretanto, falam em âmbito circunscrito, ainda quando se
façam ouvidos em vários continentes.
Dante define uma época.
Camões exalta uma raça.
Shakespeare configura as experiências de um povo.
Voltaire exprime determinada transformação social
A palavra de Jesus, no entanto, transcende lavores artísticos, jóias literárias, plataformas
políticas, postulados filosóficos, fórmulas estanques. Dirige-se a todas as criaturas da
Terra, com absoluta oportunidade, estejam elas nesse ou naquele campo de evolução.
É por isso que a Doutrina Espírita a reflete, não por mera reforma dos conceitos
superficiais do movimento religioso, à maneira de quem desmontasse antigo prédio para
dar disposição diferente aos materiais que o integram, em novo edifício destinado a
simples efeitos exteriores.
Os ensinamentos do Mestre, nos princípios espíritas-cristãos, constituem sistema
renovador, indicação de caminho, roteiro de ação, diretriz no aperfeiçoamento de cada
ser.
Quando os manuseies, não te julgues, assim apenas como quem se vê à frente de um
espetáculo de beleza, junto do qual devas tão somente chorar, seja nutrindo a fonte da
própria emotividade ou penitenciando-te, quanto aos próprios erros.
Além das lágrimas, aprendamos igualmente a pensar, a purificar-nos, a reerguer-nos e
servir.
A necessidade da alma é semelhante à sede ou à fome, ao desajuste moral ou à
moléstia, que são iguais em qualquer clima.
A lição do Cristo é também comparável à fonte e ao pão, ao fator equilibrante e ao
medicamento, que são fundamentalmente os mesmos, em toda parte.
No trato, pois, de nós ou dos outros, é forçoso não olvidar que o próprio Senhor nos
avisou de que as suas palavras são espírito e vida.

(Palavras de Vida Eterna; cap. 118)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

CRÊ E SEGUE


“Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.” —
Jesus. (JOÃO, CAPÍTULO 17, VERSÍCULO 18.)
Se abraçaste, meu amigo, a tarefa espiritista-cristã, em nome da fé sublimada, sedento
de vida superior, recorda que o Mestre te enviou o coração renovado ao vasto campo
do mundo para servi-lo.
Não só ensinarás o bom caminho. Agirás de acordo com os princípios elevados que
apregoas.
Ditarás diretrizes nobres para os outros, contudo, marcharás dentro delas, por tua vez.
Proclamarás a necessidade de bom ânimo, mas seguindo, estrada a fora, semeando
alegrias e bênçãos, ainda mesmo quando incompreendido de todos.
Não te contentarás em distribuir moedas e benefícios imediatos. Darás sempre algo de
ti mesmo ao que necessita.
Não somente perdoarás. Compreenderás o ofensor, auxiliando-o a reerguer-se.
Não criticarás. Encontrarás recursos inesperados de ser útil.
Não deblaterarás. Valer-te-ás do tempo para materializar os bons pensamentos que te
dirigem.
Não disputarás inutilmente. Encontrarás o caminho do serviço aos semelhantes em
qualquer parte.
Não viverás simplesmente no combate palavroso contra o mal. Reterás o bem,
semeando-o com todos.
Não condenarás. Descobrirás a luz do amor para fazê-la brilhar em teu coração, até o
sacrifício.
Ora e vigia.
Ama e espera.
Serve e renuncia.
Se não te dispões a aproveitar a lição do Mestre Divino, afeiçoando a própria vida aos
seus ensinamentos, a tua fé terá sido vã.

(Pão Nosso; cap. 180)

terça-feira, 3 de julho de 2012

MÃOS À OBRA

“Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, CAPÍTULO 14, VERSÍCULO 26.)
 A igreja de Corinto lutava com certas dificuldades mais fortes, quando Paulo lhe escreveu a observação aqui transcrita. O conteúdo da carta apreciava diversos problemas espirituais dos companheiros do Peloponeso, mas podemos insular o versículo e aplicá-lo a certas situações dos novos agrupamentos cristãos, formados no ambiente do Espiritismo, na revivescência do Evangelho. Quase sempre notamos intensa preocupação nos trabalhadores, por novidades em fenomenologia e revelação. Alguns núcleos costumam paralisar atividades quando não dispõem de médiuns adestrados. Por quê? Médium algum solucionará, em definitivo, o problema fundamental da iluminação dos companheiros. Nossa tarefa espiritual seria absurda se estivesse circunscrita à freqüência mecânica de muitos, a um centro qualquer, simplesmente para assinalarem o esforço de alguns poucos. Convençam-se os discípulos de que o trabalho e a realização pertencem a todos e que é imprescindível se movimente cada qual no serviço edificante que lhe compete. Ninguém alegue ausência de novidades, quando vultosas concessões da esfera superior aguardam a firme decisão do aprendiz de boa-vontade, no sentido de conhecer a vida e elevar-se. Quando vos reunirdes, lembrai a doutrina e a revelação, o poder de falar e de interpretar de que já sois detentores e colocai mãos à obra do bem e da luz, no aperfeiçoamento indispensável.

(Pão Nosso; cap. 1)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

REGOZIJEMO-NOS SEMPRE



Regozijai-vos sempre.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA AOS TESSALONICENSES, capítulo 5, versículo 16.)


O texto evangélico não nos exorta ao júbilo so­mente nos dias em que nos sintamos pessoalmente felizes.
Assevera com simplicidade — regozijai-vos sempre.”
Nada existe no mundo que não possa transfor­mar-se em respeitável motivo de trabalho, alegria e santificação.
E a própria Natureza, cada dia, exibe expressi­vos ensinamentos nesse particular.
Depois da tempestade que arranca raízes, mu­tila árvores, destrói ninhos e enlameia estradas, a sementeira reaparece, o tronco deita vergônteas novas, as aves refazem os lares suspensos e o caminho se coroa de sol.
Somente o homem, herói da inteligência, guarda consigo a carantonha do pessimismo, por tempo indeterminado, qual se fora gênio irado e desiludido, interessado em destruir o que lhe não pertence.
Ausência continuada de esperanças e de ale­gria na alma significa evolução deficitária.
Por toda parte, há convites à edificação e ao aprimoramento, desafiando-nos à ação no engrande­cimento comum.
Ninguém é tão infeliz que não possa produzir alguns pensamentos de bondade, nem tão pobre que não possa distribuir alguns sorrisos e boas palavras com os seus companheiros na luta cotidiana.
Tristeza de todo instante é ferrugem nas engre­nagens da alma. Lamentação contumaz é ociosidade ou resistência destrutiva.
É necessário acordar o coração e atender dignamente à parte que nos compete no drama evolutivo da vida, sem ódio, sem queixa, sem desânimo.
A experiência é o que é.
Nossos companheiros são o que são.
Cada qual de nós recebe o quinhão de luta im­prescindível ao aprendizado que devemos realizar. Ninguém está deserdado de oportunidades, em favor da sua melhoria.
A grande questão é obedecer a Deus, amando-O, e servir ao próximo de boa-vontade. Quem solucio­nou semelhante problema, dentro de si mesmo, sabe que todas as criaturas e situações da senda são men­sagens vivas em que podemos recolher as bênçãos do amor e da sabedoria, se aceitamos a lição que o Senhor nos oferece.
Nesse sentido, pois, não nos esqueçamos de que Paulo, o íntimorato batalhador do Evangelho, sob tormentas de preocupações, encontrou recurso em si mesmo para dizer aos irmãos de luta: — “Regozi­jai-vos sempre.”

(Fonte Viva; cap. 102)

domingo, 1 de julho de 2012

ENXERTIA DIVINA



Se não permanecerem na incredu­lidade, serão enxertados; porque po­deroso é Deus para os tornar a en­xertar.” — Paulo. (ROMANOS, capítulo 11, versículo 23.)


Toda criatura, em verdade, é uma planta espiri­tual, objeto de minucioso cuidado por parte do Divino Semeador.
Cada homem, qual ocorre ao vegetal, apresenta diferenciados períodos na existência.
Sementeira, germinação, adubação, desenvolvi­mento, utilidade, florescência, frutificação, colheita...
Nas vésperas do fruto, desvela-se o pomicultor, com mais carinho, pelo aprimoramento da árvore.
É imprescindível haja fartura e proveito. Na luta espiritual, em identidade de circunstâncias, o Senhor adota iguais normas para conosco.
Atingindo o conhecimento, a razão e a expe­riência, o Pomicultor Celeste nos confere preciosos recursos de enxertia espiritual, com vistas à nossa sublimação para a vida eterna.
A cada novo dia de tua experiência humana, recebes valioso concurso para que os resultados da presente encarnação te enriqueçam de luz divina pela felicidade que transmites aos outros. És, con­tudo, uma “árvore consciente”, com independência para aceitar ou não os elementos renovadores, com liberdade para registrar a bênção ou desprezá-la.
Repara, atentamente, quantas vezes te convoca o Sublime Semeador ao engrandecimento de ti mesmo.
A enxertia do Alto procura-nos através de mil modos.
Hoje, é na palestra edificante de um compa­nheiro.
Amanhã, será num livro amigo.
Depois, virá por intermédio de uma dádiva apa­rentemente insignificante da senda.
Se guardas, pois, o propósito de elevação, apro­veita a contribuição do Céu, iluminando e santifi­cando o templo íntimo. Mas, se a incredulidade por enquanto te isola a mente, enovelando-te as forças no carretel do egoísmo, o enxerto de sublimação te buscará debalde, porque ainda não produzes, nos recessos do espírito, a seiva que favorece a Vida Abundante.

(Fonte Viva; cap. 78)